O texto a seguir foi
inicialmente publicado por Barbara Hoard, a
única juíza Americana a Ter julgado uma
Klubsieger na Alemanha. Em 1997 eu e Bárbara
fizemos uma readaptação às condições atuais da
Raça e corrigimos algumas coisinhas.
Agora, nesta nova versão, modifiquei alguns
dados e estou incluindo mais alguns tópicos de
interesse.
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O
PADRÃO DO ROTTWEILER
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A Raça
Rottweiler tornou-se mundialmente um sinônimo de
Lealdade, Confiabilidade e Versatilidade. Pode
ser usado como cão de Serviço, Proteção,
Pastoreio, Tração, Busca e Salvamento, Cão de
Terapia Médica, somente para mencionar algumas
possibilidades. A extensão dos usos é muito
maior do que se imagina.
O crédito por esta tão variada gama de usos vem
da Grande Boa Vontade da Raça aliada aos
esforços dos verdadeiros criadores
O ROTTWEILER É UM CÃO DE
TRABALHO
Estas palavras dizem tudo para Criadores,
Adestradores, Árbitros e Apresentadores. Elas
são a base de tudo que você venha a pretender do
seu cão.
Portanto, ao julgar sua estrutura, o árbitro só
poderá chegar a um resultado correto se esta
estrutura for moldada para o trabalho.
1) Para ser um cão de trabalho, de acordo com o
tipo que buscam os criadores alemães, ele deve
ser criado e trabalhado de forma a produzir o
Máximo em Desempenho com o Mínimo esforço. Isto
sugere uma estrutura robusta, poderosa e
harmônica dentro do contexto do standard.
A Aparência Geral do Rottweiler, ao primeiro
olhar, deve nos parecer de rudeza aliada à
nobreza e potência de destruição aliada à
mansidão de sua grande autoconfiança. Deve
parecer sempre alerta e observador do mundo à
sua volta. O Avaliador deve penalizar sempre os
cães apáticos, desinteressados do que o cerca ou
de movimentação forçada. Não se deve esperar que
um Cão de Trabalho apresente-se para julgamento
totalmente alheio ao mundo a sua volta. Quando
se diz “Cão de Trabalho” entendemos que ao fazer
a pergunta “Vamos Trabalhar??” a raça Rottweiler
diria: EU PRIMEIRO.
2) O Árbitro deve ser muito cauteloso ao
penalizar faltas estruturais esquecendo do tipo
que se espera.
Características que definem o tipo:
a) Ossatura poderosa, não quando comparada a um
Doberman mas quando comparada aos demais
Molossos;
b) Costelas bem arqueadas, não quando comparadas
a um Dogue Alemão, mas quando comparadas aos
cães do tipo Mastiff, garantem boa capacidade
pulmonar e maior proteção para os órgãos
internos.
c) Compacto, mais para curto que para comprido;
d) Pescoço de tamanho médio;
e) Lombo curto quando visto lateralmente, largo
quando visto de cima e profundo fazendo com que
a linha inferior não apresente esgalgamentos e
que a área dos rins seja menos sensível e mais
resistente;
f) Quando visto de trás a largura da garupa deve
equivaler à frente. Deve ser penalizado o cão de
frente larga e posterior estreito bem como o
contrário.
g) Garupa de comprimento médio garante coxas
mais poderosas e maior espaço para musculatura.
São indesejáveis garupas muito curtas ou longas;
h) Arcos zigomáticos bem pronunciados resultarão
em maior força da mordida, assim como um focinho
que não deve nunca aparentar longo ou muito
curto;
i) Marcações em Vermelho Fogo bem definidas;
j) Machos com cara de machos e fêmeas com cara
de fêmeas;
k) Nobreza, sem esta o mais correto
estruturalmente não pode ser considerado um
Rottweiler.
3) Tamanho
O Rottweiler é um cão de médio porte. De 61cm a
68cm para Machos e de 56cm a 63cm para
Fêmeas, medidos da Cernelha ao solo numa
perpendicular com este. Na atualidade observa-se
que as medidas mais procuradas dentre os cães
alemães são entre 64 e 67cm para machos e entre
58 e 62cm para as fêmeas. A média de altura das
fêmeas alemãs tem aumentado nos últimos anos.
Cães muito pequenos ou grandes demais não são
desejáveis. Os pequenos perdem em força e
potência e os grandes demais são lerdos e de
movimentação pobre além de, geralmente,
mostrarem-se preguiçosos e sem nobreza.
Os chamados pernas longas são geralmente o
resultado de angulações pobres o que resulta em
uma perda ainda maior de desempenho.
4) Movimento
O Rottweiler é um trotador e como tal não pode
ser de estrutura quadrada. É desejável que seja
10% mais longo que alto e limitado à 15% no
máximo. Cães muito curtos tendem ao galope e
cansam facilmente. Já os muito longos gastam
muita energia na transmissão da propulsão para
os anteriores e tendem a desgastar-se mais
facilmente devido ao forte desgaste da coluna
vertebral.
Com a modificação do padrão e tendo o cão agora
com a cauda íntegra, o trote do Rottweiler
ficará mais fluente. Maiores comentários sobre
esta modificação eu faço a seguir, no capítulo
que se refere à cauda.
5) Peso
A média atual gira em torno de 55kgs para machos
e 45kgs para fêmeas.
Este peso é distribuído em:
Músculos 53%
Ossos 14%
Pelagem 12%
Sangue 8%
Órgãos internos, gordura etc 13%
Como se pode ver hoje no Brasil, a gordura está
bem mais representada do que o desejado.
6) Pelagem
A pelagem deve ser de tamanho médio para curto,
com subpêlo denso, em países de climas frios e
apenas presente em países de climas tropicais.
Atualmente, entre os árbitros alemães, pouca
importância vem sendo dada à presença do subpêlo.
Isto porque, dentre árbitros e criadores
alemães, está crescendo a opinião de que o
Rottweiler deve apresentar uma pelagem mais
curta e rente ao corpo, sem perder a dureza. Os
argumentos são de que supunha-se uma maior
proteção com referência ao frio mas a realidade
é outra. Dizem alguns que maior proteção oferece
uma pelagem curta e sem subpêlo pois não acumula
água e a neve não tem onde alojar-se.
De qualquer forma, a realidade é que as
tendências são do desaparecimento do subpêlo já
que este nem sequer consta mais das súmulas de
ZTP (Prova de apto para reprodução), e esta é
uma realidade incontestável.
7) Marcações
Deseja-se marcações muito bem definidas e em
Vermelho Fogo. É uma característica ligada ao
tipo e como tal deve ser penalizada sempre que
não for apresentada.
O Pigmento da parte interna da boca, trufa,
gengivas, pálpebras e da comissura labial devem
ser escuras. Aqui temos uma situação realmente
incomum. É possível encontrar-se um Rottweiler
de maravilhosas marcações, trufa e pálpebras
negras e com lábios e gengivas totalmente
rosadas. Isto contraria totalmente o que poderia
se esperar de uma característica de origem
congênita. Longas e intermináveis discussões
acontecem diariamente em todos os cantos do
globo mas a verdade é que, ninguém pode provar
que despigmentação da boca é uma característica
genética.
Vários foram os cães chegados ao Brasil, vindos
da Alemanha, que apresentavam a boca totalmente
escura e em poucos meses aqui, apresentaram
manchas ou até mesmo a despigmentação total.
Isto poderia sugerir a influência do clima ou
mesmo da diferença na troca da alimentação.
Fêmeas tendem a clarear a boca quando o cio se
aproxima ou durante a amamentação, o que poderia
sugerir uma ausência ou consumo em excesso de
determinada vitamina necessária para mantê-la
escura.
Minha particular opinião, que não deve ser
encarada como a última palavra, é de que
mudanças na temperatura ambiental e corporal
geram o problema.
8) A cauda
De acordo com o novo padrão, já em vigor na
Alemanha, que passa a ser reconhecido
oficialmente pela Federação Cinológica
Internacional (FCI) a partir de janeiro de 2001,
a cauda deve ser portada de acordo com o esquema
abaixo.

Como se pode ver, teremos drásticas modificações
no cão a partir de agora.
a) Em Primeiro Lugar teremos modificações
relacionadas ao movimento que irá alterar
drasticamente a visão que o Árbitro tem do cão.
A cauda dará maior equilíbrio em movimento e o
cão vai perder seu “rebolado” característico. O
movimento torna-se mais equilibrado e fluente.
Até os filhotes começam a caminhar mais cedo.
Muita polêmica ainda vamos presenciar com
referência a este detalhe.
b) Em Segundo Lugar temos que pensar que, após
tantos anos visualizando o Rottweiler sem a
cauda, nossos Árbitros aqui e no resto do
planeta, nunca deram o valor necessário ao
correto tamanho e angulação da garupa. Não basta
que se queira a cauda nesta ou naquela posição.
A estrutura, largura, tamanho da garupa ( ísquio
e íleo) e o ângulo que esta forma com a
horizontal irão determinar se o cão portará
corretamente a cauda ou não.
b.1) Fatores que determinam uma cauda portada em
cima do dorso ou enroscada em cima deste ( como
de um Akita):
- Garupa curta (ísquio e íleo curtos)
- Garupa pouco angulada ou plana
- Ísquio curto e íleo longo
b.2) Fatores que determinam uma cauda portada
muito baixa (como de um Pastor Alemão):
- Garupa muito longa
- Garupa muito angulada (caída)
- Ísquio longo e íleo curto
A verdade, que até mesmo os alemães não querem
acreditar, é que o nosso Rottweiler vai mudar e
muito. Nossos cães, embora tenham muito bem
definido pelo padrão a forma como deve ser a
garupa, esta parte nunca foi muito levada a
sério e agora esta será a grande busca nos
próximos anos de criação.
9) A Cabeça
A cabeça, indiscutivelmente é o que deve
determinar o sexo. Se ao observar a cabeça o
Árbitro tiver dúvidas quanto ao sexo alguma
coisa está errada. Ou temos uma fêmea
masculinizada ou temos um macho afeminado.
A cabeça, na maioria das raças, é um dos pontos
mais avaliados. Isto porque é a expressão maior
da raça. Seria o mesmo que perguntarmos que país
da Europa vem aquele rapaz forte, alto, loiro e
de olhos azuis e obtermos como resposta que ele
é chinês. Se olharmos para um Rottweiler e
reconhecermos um Doberman ou um Mastim preto e
tan, temos uma descaracterização total do tipo (atipia).
Além daquilo que está definido no Padrão Oficial
da raça, gostaria de deixar alguma observações:
a) Olhos;
- Devem ser de tamanho médio e AMENDOADOS. Stop
excessivo gera olhos frontais demais e redondos
na maioria dos casos. Olhos redondos é altamente
indesejável.
- As pálpebras devem estar bem ajustadas. Cães
operados de Entropia nunca ficam com as
pálpebras corretamente ajustadas.
- A coloração dos olhos deve ser escura. O
avaliador deve observar cuidadosamente cães que
apresentem os olhos escuros com uma auréola
amarelada ao redor. Deve considerar a
possibilidade de Ter sido utilizado um dilatador
de pupila no cão devido a coloração incorreta.
Este é um artifício bastante utilizado na
cinofilia brasileira. Nunca esqueça que o padrão
desqualifica os olhos amarelos, portanto se são
claros é falta grave.
- Pálpebras caídas prejudicam muito a expressão
do cão. Geralmente é comum em cães que
apresentam a pela da cabeça em excesso, muito
grossa ou muito solta.
b) Stop;
- O Padrão pede bem pronunciado mas não diz que
deve formar um ângulo de 90 graus. Deve-se
observar cuidadosamente stops excessivos ou
pouco pronunciados.
c) Orelhas:
- Devem ser de tamanho médio, quando em atenção,
a borda interna deve ficar colada às faces.
Orelhas longas dão uma expressão de um Hound
pois o cão tem dificuldades para armá-las
corretamente.
- Devem estar em harmonia com a linha superior
do crânio de forma que, quando visto de frente,
com o cão em atenção, dão a impressão de um
crânio bem mais largo. Formam uma curva suave
com a linha do crânio. Se lhe parecer que o
crânio é reto, é certo que as orelhas estão
inseridas um pouco altas.
- Orelhas inseridas altas geralmente apresentam
as pontas levemente curvadas para fora e na
parte mais interna da inserção no topo do
crânio, apresentam dois pequenos tufos de pêlos
apontando para cima.
- Orelhas de inserção baixa são difíceis de
serem armadas corretamente e dão uma expressão
de cão de caça (hound).
- Observe que algumas vezes, embora o tamanho e
a colocação estejam corretos, a cartilagem é
grossa demais e gera o mesmo defeito de porte
incorreto.
d) Arcos Zigomáticos
- Os zigomáticos determinam se o cão tem mais ou
menos “bochecha”. Mais zigomático dá uma
conformação mais arredondada ao conjunto da
cabeça quando visto de frente.
- É indesejável cabeças que, mesmo apresentando
bons zigomáticos, tem uma aparência quadrada
quando vista de frente. É fácil de identificar
já que o crânio parece um cubo e o focinho
parece outro cubo encaixado neste.
- A função de zigomáticos bem pronunciados é de
maior potência à mordida e maior firmeza.
- Uma função secundária de zigomáticos bem
pronunciados é dar uma conformação tigróide ao
conjunto total da cabeça, quando visto de
frente.
e) O Focinho
- Deve ser largo quando visto de cima e profundo
quando visto de perfil.
- É importante uma mandíbula poderosa e uma cana
nasal reta. Mandíbulas fracas ou afinadas são
altamente indesejáveis.
- Visto de perfil, a linha frontal do focinho
não pode ser chanfrada. Ela desce quase reta,
formando um conjunto poderoso
f) A Dentição
- A dentição do filhote são 28 dentes de leite
- A dentição do adulto é de 42 dentes, Incisivos
(6 inferiores e 6 superiores), Caninos (2
superiores e 2 inferiores), Premolares (8
Superiores e 8 Inferiores) e Molares ( 4
superiores e 6 inferiores).
- Sabe-se de casos que dentes definitivos só
apareceram aos 15 meses de vida do cão, portanto
antes de descartar um cão por falta dentária,
sugiro que você realize uma radiografia para
checar com certeza se realmente é uma falta ou
se está incluso.
- Dentes inclusos, em certos casos, podem vir a
sair com uma pequena ajuda do veterinário. Em
exposições, radiografias ou laudos de
veterinários não são aceitos como prova.

g) A Mordedura
- A Mordedura deve ser em tesoura.
- A chamada Tesoura apertada ou muito apertada
só deve ser levada em conta em cães com idade
inferior à 18 meses. Nestes casos existe uma boa
chance de que teremos uma mordedura em Torquês
na idade adulta (após os 2 anos). Nestes casos o
avaliador deve ser cuidadoso ao resultado do cão
na exposição.
- A Técnica utilizada pelos alemães ao verificar
uma mordedura duvidosa é passar a unha de cima
para baixo, partindo dos incisivos superiores na
direção dos inferiores. Se a unha não trancar ou
for impedida de continuar seu caminho até os
incisivos inferiores, considera-se Tesoura, se
ocorrer uma interrupção, trancando em algum
dente, considera-se Torquês.
10) O Pescoço
O Pescoço do Rottweiler é de comprimento médio e
poderoso. Quando em movimento a cabeça e o
pescoço são portados quase horizontalmente.
Quando em parado estão levemente para cima.
Cabeça portada levantada no movimento é
considerado falta e indesejável.
É muito importante a harmonia do conjunto
Cabeça, pescoço e corpo. Cães que parecem ser só
cabeça devem ser penalizados.
Na avaliação, sempre que se tiver em dúvida
entre um pescoço muito longo e um muito curto,
deve-se sempre penalizar mais ao longo pois este
vai diretamente de encontro ao tipo do
Rottweiler que deve ser de aparência compacta.
Barbelas e peles soltas no pescoço são
indesejáveis. Ao avaliar deve-se observar se
aparentes peles soltas não são o resultado da
colocação incorreta do enforcador por parte do
apresentador do cão. Só se devem considerar
barbelas e peles soltas quando o enforcador
apresentar-se solto de forma natural. Assim como
o apresentador poderá erroneamente gerar
barbelas ou papadas, poderá também utilizar-se
do enforcador para escondê-las.

11) Linha Dorsal
É dividida em Cernelha, Dorso, Lombo e Garupa
a) Cernelha
É a Crista superior da Homoplata. Quanto numa
parada natural, mostra-se como o ponto mais
alto da Linha Dorsal.
b) Dorso
Vai da Cernelha até o final das costelas. Deve
ser curto e reto. Em movimento deve se comportar
Firme sem oscilações horizontais. Dorso longo
significará mais desgaste de energia para a
transmissão da propulsão dos anteriores para os
posteriores. Também vai gerar mais desgaste
físico em função das oscilações horizontais. Um
dorso muito longo geralmente vai apresentar-se
cedido (selado). Se é curto e assim mesmo
selado, então a falta é de maior gravidade
ainda.
c) Lombo
Inicia-se no final do Dorso e vai até o início
da Garupa (Ponta do Íleo). Deve ser curto, largo
quando visto de cima e profundo quando visto
lateralmente. É exatamente o comprimento e a
profundidade do lombo que irão determinar se a
linha inferior do Rottweiler é correta.
d) Garupa
A Garupa inicia-se na ponta do Íleo e vai até a
ponta do Ísquio. Esta é um dos pontos que vai
ser
realmente afetado pelo novo padrão de cauda
Íntegra. Desde já os avaliadores devem começar a
observar cuidadosamente as garupas de nossos
cães.
O Tamanho deve ser médio (deverá ficar um pouco
mais longa). A inclinação em relação à vertical
deve ser entre 20 e 30 graus em relação à
horizontal (acredito que com uma garupa mais
longa não teremos necessidade de maior
inclinação). Observe que uma maior inclinação da
garupa, sendo esta um pouco mais comprida, vai
carpear o lombo e nos dar uma linha dorsal
semelhante à do Pastor Alemão. Este tipo de
linha dorsal não é desejável de acordo com os
árbitros alemães e deve ser fortemente
penalizada.
Quando vista de cima a garupa deve ser larga
acompanhando frente e costelas. Não deve
apresentar-se visivelmente mais estreita que a
frente do cão.
É importante observar que o comprimento da
Garupa e a sua Largura são as características
que mais influem no volume de musculatura do
Trem Posterior.
12) O Tronco
O Tronco inclui todas as partes entre a Coluna
Cervical e o Osso do Peito ou Esterno.
Esta caixa tem como objetivo proteger os órgãos
internos mais importantes.
a) Costelas – Como o próprio padrão oficial diz,
devem ser bem arqueadas, o que significa dizer
que o formato, visto de frente nos dá a idéia de
que falta um pouquinho de profundidade de peito
ao cão (se o ângulo de ombro e escápula forem
corretos). Quando pobremente arqueadas
geralmente os cotovelos se colocam para dentro e
os pés, vistos de frente, apresentam-se para
fora (falta chamada de frente francesa). A
maioria dos cães jovens com idade inferior aos
24 meses apresentam esta falta, devido não Ter
atingido a maturidade ainda. Quando as costelas
são excessivamente arqueadas (Barril) os
cotovelos são expulsos para fora e os pés se
colocam para dentro, facilmente visível quando
se vê o cão movimentando visto de frente.
b) Peito - Quando visto de lado o peito desce
até a linha do cotovelo ou levemente acima
desta.
Como dizem os alemães, o Rottweiler deita em
cima dos cotovelos e não do peito. É importante
salientar que o avaliador deve sempre Ter em
mente que cães jovens ainda não apresentam o
peito e antepeito corretamente desenvolvidos.
Como resultado um percentual bastante alto
destes apresentará pouca profundidade de peito
e, visto de frente, os pés apontam levemente
para fora. É consenso geral que se deve ser
rigoroso neste tipo de falta somente quando a
idade é acima de, pelo menos, 30 meses.
c) Antepeito é a parte anterior do peito que
inicia no pescoço e vai até a perna. Deve ser
bem desenvolvido, ou seja, quando visto de lado
destaca-se claramente à frente da perna. Um
antepeito bem desenvolvido denota boa colocação
de ombros e escápula, além do trem anterior,
como um todo, estar bem posicionado.
13) A Movimentação

Os posteriores são o motor propulsor do cão,
originam o movimento que, carregado pela Linha
Dorsal chega aos anteriores que são responsáveis
pelo peso e direção.
Como saltar, trotar, galopar, mudanças bruscas
de direção e velocidade são gerados por músculos
que devem ser muito bem desenvolvidos, é
necessária uma ossatura larga e poderosa nos
membros para permitir a aderência de massa
muscular suficiente.
a) Trem Anterior
Consiste em Omoplata ou Escápula, Úmero ou Osso
do Ombro, Conjunto Rádio e Ulna ou perna
propriamente dita, Metacarpo e Pé.
a.1) Omoplata ou escápula – Esta liga-se ao
tronco do cão através de fortes músculos,
tendões e ligamentos. Para um bom alcance de
passada faz-se necessário que a Omoplata tenha
um ângulo próximo de 45º em relação à linha
dorsal.
a.2) Úmero – Este forma com a Omoplata a
articulação chamada Escápulo-Umeral ou
Articulação do Ombro. O ângulo ideal entre esses
dois ossos situa-se entre 95 e 105 graus. Quando
o Trem Anterior está bem posicionado, a Omoplata
está bem angulada e o ângulo escápulo-umeral
está correto, observa-se um movimento dos
anteriores harmônico e de bom alcance.
a.3) Conjunto Rádio e Ulna – Chamado
simplesmente perna. Deve apresentar ossatura
larga e poderosa, sendo reta e formando uma
perpendicular com o solo.
a.4) Metacarpo – Forma um ângulo de
aproximadamente 20º com a perna. É o sistema de
amortecedores do Trem Anterior. Quando saltando,
trotando, galopando em variadas velocidades e
direções, é o Metacarpo que suporta a maioria
dos impactos com o solo. Está aí a razão para
Metacarpos poderosos e firmes. Quando são retos,
seguindo a perna (escarpados), não absorvem
corretamente o impacto e o cão se cansa muito
cedo além de mostrar pouca vontade já que o
movimento em excesso causa-lhe dor. Quando
cedidos ou muito angulados, a troca de direção e
a firmeza do movimento são prejudicados devido
ao peso do cão.
a.5) Os Pés – Devem ser fortes apresentando
dedos bem arqueados (pés de gato). Pés chatos
e/ou espalmados são altamente indesejáveis. O
avaliador deve Ter em mente que algumas vezes a
aparente falta pode ser o resultado de carência
de determinada vitamina na alimentação ou
excesso de peso do cão, neste caso o Metacarpo
apresenta-se cedido também. Pés abertos e/ou
dedos não arqueados e um Metacarpo normalmente
colocado devem ser penalizados sempre.
É importante lembrar que, a chamada Frente
Francesa sempre é avaliada como falta mas,
dependendo de como se apresenta pode ser
considerada leve até bastante séria. Levemente
penalizada é aquela que, ao olhar-se de frente
para o cão, os pés apresentam-se para fora mas
as pernas estão corretamente posicionadas. Esta
geralmente é originária de alguma deficiência no
processo evolutivo do cão como peso em excesso,
dieta pobre em sais minerais, pisos lisos etc.
Séria é aquela que vendo-se de frente, os pés
apontam para fora e a perna também (o Tan das
partes internas da perna aparecem na frente de
forma anormal). Neste caso é o resultado de
problemas no Trem Anterior e/ou Caixa Torácica (
o arqueamento incorreto de costelas é geralmente
o maior causador).
a.6) Função – No seu conjunto o Trem Anterior
suporta o peso, direciona o corpo, quebra a
força e amortece os impactos gerados pelo Trem
Posterior. O Aproveitamento da propulsão
dependerá do equilíbrio correto do Anterior.
- Omoplata mal colocada – pouco alcance
- Ângulo de Ombro pobre – pouco alcance
(aparente falta de profundidade de peito).
- Ângulo de Ombro excessivo – pouco alcance, cão
muito próximo do solo. (aparente excesso de
profundidade de peito).
- Trem Anterior projetado para frente no seu
total – dificuldades para iniciar o movimento e
porte muito baixo da cabeça (pescoço parece
muito curto).
- Trem anterior projetado para trás –
dificuldades de manter-se bem plantado no solo e
cabeça portada alta quando em movimento (
pescoço parece longo).
- Cotovelos soltos – dificuldades em mudanças de
direção e controle do corpo quando em
velocidade.
- Metacarpo escarpado – Amortecimento pobre a
impactos
É importante salientar que algumas destas faltas
são na verdade resultado de um conjunto de
fatores incluindo todos os elementos que formam
o conjunto.
b) Trem Posterior
Consiste em Garupa (Osso Superior chamado
Ilíaco, Osso Médio chamado Sacro e o Osso
Inferior chamado Ísquio), Coxa (Fêmur), Perna
(Tíbia e Fíbula), Jarretes, Metatarso e Pé. As
principais articulações são: Coxo-Femoral,
Joelho e Jarrete.
b.1) Função – O Conjunto posterior inicia todos
os movimentos. A musculatura força a abertura
dos ângulos das articulações, empurrando para
trás e o corpo movimenta-se para a frente. Se
ângulos, tamanho dos ossos, largura dos ossos
estiverem corretos, haverá musculatura
suficiente para gerar uma força poderosa e um
movimento fácil e pouco cansativo para o cão.
b.2) Em Parado – Podemos distinguir três
posições do Trem Posterior quando o cão realiza
uma parada natural:
Posição Um – Pés embaixo do corpo. Ângulos
Pobres, falta firmeza e equilíbrio, pouca
propulsão.
Posição Dois – Pés atrás do corpo. Cão
cambaleante em movimento, parada com as pernas
muito abertas e passos também muito abertos,
geralmente relação pobre entre o comprimento dos
ossos (Fêmur e Tíbia).
Posição Três – Pés um pouco para trás do corpo –
É a posição mais favorável, com melhor relação
entre Fêmur e Tíbia (50-50). Quando os jarretes
estão na vertical, uma linha traçada da ponta do
Ísquio até o solo, atinge exatamente na ponta do
Pé.
OBS: Isto é o que se esperava do nosso
Rottweiler até agora mas, com as mudanças que
irão ocorrer na garupa, devido à cauda e a
crescente tendência dos Árbitros Alemães de
valorizar os cães mais bem angulados, os
posteriores estão cada vez mais para trás. O
Avaliador deve procurar Ter em mente sempre que
nosso Rottweiler está mudando lentamente mas
seguramente. Cães bem angulados devem ser
valorizados na medida de que não existam
exageros.
b.3) O Íleo – Esse osso, assim como a omoplata,
deve ser longo e bem angulado. Se muito curto,
as pernas estarão posicionadas muito à frente,
embaixo do corpo. Neste caso temos passadas
curtas e a força despendida não é aproveitada.
Perda de resistência.
Se estiver muito na horizontal, o cão perde
firmeza quando em parado. Quando bem construído,
forma um ângulo de 45º com a horizontal.
b.4) Garupa
O Íleo, o Sacro e o Ísquio formam o conjunto da
garupa. Se traçarmos um linha reta desde a ponta
do Íleo à ponta do Ísquio teremos um ângulo
entre 20º a 30º com a horizontal. Observando-se
externamente, o ângulo aparente da garupa é ao
redor de 10 até 20º no máximo.
Se, ao observarmos o cão, o ponto mais alto da
garupa estiver acima do mais alto da cernelha,
dizemos que este cão é Sobreconstruído.
Este conjunto será o mais afetado em função da
cauda. Vale lembrar que, quando não se tinha a
presença da cauda, vários cães com garupas
incorretas passavam desapercebidos em função de
julgamentos por árbitros não criadores.
Lembre-se:
i) Garupa plana leva a uma cauda incorreta,
portada em cima do lombo.
ii) Garupa muito angulada levará a uma cauda
portada como a de um Pastor Alemão (Diga-se de
passagem que, na minha modesta opinião, este
será o nosso futuro).
iii) O Porte da cauda, da forma que o padrão
pede, exigirá uma garupa um pouco mais longa que
a atual e um pouquinho mais angulada.
b.5) Coxa
Deve ser moderadamente longa, larga e com muita
musculatura. Quando vista lateralmente, deve ser
larga e poderosa. Para tal é necessário um
conjunto da garupa correto. Coxas finas, pobres
em musculatura significam um conjunto incorreto.
Vistas por trás devem aparentar forte
musculatura. Coxas finas vistas por trás denotam
uma garupa estreita, fato bastante indesejável.
b.6) Perna
É o conjunto Tíbia e Fíbula. Deve apresentar
musculatura poderosa e articula-se com a jarrete
de forma bem angulada.
b.7) Metatarso e Pé
Devem ser retos e ergots não devem estar
presentes. Os pés, como na frente, devem ser bem
arqueados, podendo ser um pouco mais longo que
os anteriores.
b.8) Articulação Coxo-Femoral
De todas as articulações do cão, esta é a que
suporta maior esforço. Com a seleção de cães
mais e mais angulados, tivemos o surgimento da
chamada Displasia Coxo-Femoral, que é um mal
genético só sendo controlado através da
eliminação da criação dos cães que o apresentem.
Filhotes muito pesados, exercícios forçados em
idade muito jovem, pisos lisos, subir e descer
escadas quando filhotes podem gerar o mal, que
neste caso poderia ser chamado de adquirido,
embora sendo adquirido ou não, estes cães não
deverão acasalar.
A Radiografia é a única forma de se detectar o
mal.
b.9) Articulação do Joelho
Esta dá origem ao movimento.
Quando é torcida para fora o cão apresenta o que
chamamos Jarrete de Vaca. Geralmente resultado
de um fêmur muito longo ou garupa muito
angulada.
Quando torcida para dentro, apresenta o que
chamamos Pernas em Barril. O cão, em movimento
visto por trás, expulsa os jarretes para fora.
Importante Observar que, na medida em que a
velocidade aumenta, o cão aproxima corretamente
os jarretes. Estes não devem cruzar mas sim
ficarem bem próximos conservando o paralelismo.
Nos anteriores também ocorre o mesmo.
Cães que apresentam as pernas abertas durante o
movimento terão dificuldades em mudanças de
direção.
Vale lembrar que não são poucos os árbitros que
vimos penalizarem cães que aproximam
corretamente os jarretes, dizendo que estes
seriam o defeito que chamamos Jarretes de Vaca
(Ponta do jarrete aponta para dentro e os pés
apontam para fora do corpo).
CONCLUSÃO
Qualquer desvio exagerado do Padrão Oficial,
sempre trará como resultado, problemas na função
do cão.
Ao avaliar-se um Rottweiler devemos começar
sempre desta forma:
1º) TIPO – É ou não um Rottweiler? É ou não
um(a) macho(fêmea)?
2º) TEMPERAMENTO – Apresenta-se vivo e alerta?
Demonstra vontade de agradar ao condutor?
Movimenta-se com desenvoltura, alegre e
disposto? Demonstra segurança e não tenta
agredir tudo e todos à sua volta?
3º) TIPO FÍSICO – Tem aparência compacta? A
ossatura realmente é poderosa? As costelas são
bem arqueadas? A cabeça é poderosa? Os Arcos
Zigomáticos são bem pronunciados? O lombo é
curto? A garupa é larga e poderosa? O Stop é bem
pronunciado? As marcações estão bem definidas e
de cor correta? Os olhos são escuros? A cor da
boca é preta?
4º) ESTRUTURA – A colocação, ângulos e
proporções de anteriores e posteriores são
corretos? O dorso é firme? Os aprumos são
corretos? A movimentação é correta? Etc.
É claro que, antes de mais nada, o cão não deve
apresentar as faltas chamadas desqualificantes,
segundo o Padrão Oficial:
1) Falta de qualquer dente
2) Prognatismo ou retrognatismo
3) Pelagem visivelmente longa
4) Falta de um ou os dois testículos
5) Olhos Amarelos
6) Qualquer cor que não o preto e tan.
7) Caracteres reversos, machos afeminados ou
fêmeas masculinizadas.
8) Covardes, medo de tiro, agressivos demais
(incontroláveis).
9) Entropia ou Ectropia
10) Olhos de cores diferentes
O PRESENTE PADRÃO COMENTADO DEVE SER ENCARADO
COMO O RESULTADO DAS MINHAS EXPERIÊNCIAS COM A
RAÇA E A MINHA VISÃO DE COMO O NOSSO ROTTWEILER
DEVE SER JULGADO. SOLICITO AO LEITOR QUE, NOS
PARÁGRAFOS QUE DOU MINHA OPINIÃO PESSOAL,
REFLITA Á RESPEITO E VENDO QUALQUER INCOERÊNCIA
DE MINHA PARTE, POR FAVOR REMETA SEUS
COMENTÁRIOS DIRETAMENTE PARA augusto@rottweiler.com.br
QUE PROCURAREI EFETUAR AS CORREÇÕES NECESSÁRIAS.
LONGE DE AFIRMAR QUE ESTA É A VERDADE ABSOLUTA,
PREFIRO ENCARAR ESTA MATÉRIA COMO UM OBJETO DE
DISCUSSÕES OBJETIVANDO O APRIMORAMENTO DOS
CONHECIMENTOS DE TODOS NÓS.
Augusto Cesar Almeida Gomes
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